A
entrevista realizada no dia 08 objetivava apenas a aquisição de alguns
registros fotográficos antigos, bem como a captura de algumas informações
historiográficas do entrevistado. Porém, ao chegar na residência do pesquisado
e sendo muito bem recebido, percebi a boa vontade de Sergio Antonio Dalpiaz e
sua disposição no sentido de querer transmitir seus conhecimentos. Em pouco
tempo já me vi com um conhecimento maior sobre a região em que vivo, bem como
sobre o Rio Grande do Sul, literalmente.
Após
comprovar sua participação em muitos eventos especiais de História, Sergio me
levou até uma parte de sua casa a qual senti ser especial para ele: seu “escritório”
de estudo, digamos assim. De uma caixa ele tirou vários registros fotográficos
fantásticos, bem como documentos que fazem o espectador viajar no tempo.
Explicou-me sobre várias coisas relacionadas àqueles documentos e
posteriormente me levou à frente de outra caixa, a qual possuía objetos muitos
preciosos: achados arqueológicos!
Estes
objetos são todos feitos de pedra e, segundo Sergio, eram utensílios muito
usados pelos indígenas da região há muitos séculos atrás. Outra coisa
importantíssima a se ressaltar é que esses utensílios utilizados por
civilizações indígenas antigas foram achados na região de Maquiné, como por
exemplo um machado de pedra encontrado na região de Faxinal do Morro Alto (no
trecho que liga às praias – RS 407). Este machado, segundo Sergio, não seria de
uso comum, cotidiano, mas seria um símbolo da força e, provavelmente, de propriedade
do pajé. Professor Sergio chama a atenção para os detalhes do acabamento.
Vejamos:
| Machado muito pesado. Notem nas bordas as cavas para fixação do cabo |
Se o machado mostrado acima não era de uso comum, este, ao contrário, e também sob os cuidados de Sergio, era utilizado no cotidiano:
| Machado de pedra mais leve |
Olhem
agora para este objeto, que segundo Sergio era utilizado para quebrar coco, o
qual, carinhosamente, o entrevistado chama de “quebra-coco” e foi encontrado na
localidade da Prainha (margens da BR-101):
![]() |
| À esquerda o quebra-coco e à direita demonstração de como se quebrava o coco |
Interessantíssimo também é este objeto de pedra, também encontrado em Maquiné, que se encaixa perfeitamente nos dedos das mãos e que, segundo Sergio, poderia ter sido uma espécie de soqueira e uma arma utilizada por indígenas guerreiros para defender suas aldeias:
![]() |
| À esquerda a soqueira e à direita Sergio segurando no modo correto |
Por último, mostro esta curiosa pedra, que foi utilizada, segundo o entrevistado, em diversas atividades, como cavar, lascar e cortar, e que de certo ângulo de visão representa uma ave: a caturrita, conforme afirma o professor Sergio. Segundo ele, esta pedra poderia ser um exemplo de zoólito, que eram esculturas confeccionadas em pedra, e que representavam os animais da fauna de determinada região:
![]() |
| esquerda: machado/vista superior; centro: machado/parte inferior; direita: pássaro caturrita |
Agora
ficamos com a pergunta: qual a datação destas relíquias? Bem, Sergio não
precisou a data, porém atentou para um período de, com certeza, mais de 1000
anos atrás, devido a seu conhecimento em arqueologia. E com relação ao termo indígenas, citado neste texto, vale
saber:
Os indígenas que viviam nas terras
onde hoje é o Rio Grande do Sul, antes da chegada dos europeus, pertenciam a
três grupos: os guarani, os jê e os pampianos. Os guarani ocupavam o litoral, a
parte central até a fronteira com a Argentina, os jê habitavam parte norte
junto a Santa Catarina e os pampianos se localizavam ao sul junto do Uruguai.
Portanto,
provavelmente estes utensílios antigos de pedra pertenciam e eram fabricados
por índios guaranis, encontrados no litoral norte gaúcho.
Aguardem, em breve a 3ª e última parte da entrevista com o "professor Sergio", como é popularmente conhecido na região onde mora. Nesta última parte será abordada a questão do desmembramento de Santo Antonio da Patrulha e a origem de alguns outros municípios. Esta questão será embasada nas publicações de Sergio Antonio Dalpiaz.
Até a próxima.
FONTES:
http://f1colombohistoriando.blogspot.com.br/2012/07/indios-os-primeiros-habitantes-do-rio.html.
Sergio Antonio Dalpiaz, docente em História aposentado e pesquisador.
FONTES:
http://f1colombohistoriando.blogspot.com.br/2012/07/indios-os-primeiros-habitantes-do-rio.html.
Sergio Antonio Dalpiaz, docente em História aposentado e pesquisador.
Por Marcos Evaldt



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